Joguinhos de Facebook

Como fakes news, “joguinhos” do Facebook, e toda a temática envolvendo 
o uso de dados,podem ter mostrado o lado mais vulnerável dos Titãs da tecnologia.

A alguns dias atrás em uma conversava com o Ezze Luiz Oliveira Almeida eu afirmei que a série Bilions e Silicon Valley exageram um pouco no enredo, e que o mundo real não podia ser assim.
Um conhecido meu, que viveu por lá, me desmentiu .

Ele disse que a série suaviza muito sobre o que acontece, e que se o mundo real fosse apresentado, ninguém acreditaria.

Hoje eu li uma matéria que fala um poucos sobre isso, pense comigo fakes News+ joguinhos do Facebook( sim esses mesmos que você e sua tia jogam) acabaram sendo a matéria prima que mostrou a maior vulnerabilidade de um dos maiores gigantes corporativos do mundo, nesse caso não apenas diminuindo o valor de mercado do Face, mais também da Amazon e de muitas lideranças do setor.

Leiam toda historia( texto publicado originalmente na lista de e-mails da The BRIEF).

Receita para o caos (na rede) social
A semana mal começou e o The Guardian publicou uma super reportagem sobre um esquema cabeludo envolvendo o Facebook e uma empresa chamada Cambridge Analytica (CA), especializada em publicidade eleitoral. O jornal afirma que a CA teria coletado informações de 50 milhões de usuários da rede social – que iam desde posts até fotos compartilhadas por lá. Com os dados, a empresa teria influenciado a opinião de milhões de pessoas, durante as eleições de 2016 e o processo de decisão do Brexit.

Não estamos falando de qualquer tipo de dados. A CA descobriu, por exemplo, que a maioria das pessoas que indicam gostar de Kit Kat no FB são contra o posicionamento geopolítico de Israel. Dá para imaginar o quanto isso é específico? Assim, com a ajuda de um super algoritmo, criava uma campanha que agradasse os amantes do chocolate. No caso, um material contra Israel. Em outras palavras, a empresa usava tudo o que as pessoas curtiam ou faziam na rede social para gerar dados, criar um material a partir desses dados e, assim, manipular opiniões.

Comece com um nerd (a)batido
Foi um cara chamado Christopher Wylie que entregou ao Guardian as provas definitivas de que havia alguma treta séria envolvendo a CA. Responsável pelo setor de análise da empresa, ele foi o sujeito que juntou lé com cré e desenhou esse cruzamento de dados. Wylie conta que já tinha desenvolvido toda a mecânica necessária para criar o algoritmo de segmentação, só faltava a base de dados que seria utilizada. Ele se baseou em um estudo sobre testes de personalidade no FB. E só resolveu abrir o bico por não concordar com os rumos que sua criação tomou.

Adicione um cientista
Agora entra outro cara na história, o neurocientista e professor Aleksandr Kogan. Por ser acadêmico, ele tinha acesso às APIs do Facebook e autorização para extrair dados da plataforma. Ou seja, era o cara certo para fazer a coleta de informações de usuários que a CA tanto precisava. Ele recrutou 320 mil pessoas, que responderam a uma série de perguntas sobre seus hábitos de consumo e tendências políticas. Com isso, extraiu informações não só dos participantes da pesquisa, mas de seus amigos também. No final, conseguiu dados de 50 milhões de usuários. A CA já tinha o canhão, o cientista trouxe a munição.

BTW: Por ter usado fins acadêmicos como justificativa para fazer sua pesquisa, Kogan jamais poderia ter vendido os dados para CA. Mas quem precisa de escrúpulo? 

Uma pitada de estrategista militar
O nome que conecta todos os pontos é Steve Bannon, VP de conselho da Cambridge Analytica. Ele foi estrategista-chefe da Casa Branca durante os sete primeiros meses do mandato Trump (#mundopequeno). Curiosamente, logo depois de o novo presidente pisar na Sala Oval, a empresa dona da CA, a SCL, não só fechou contratos com o Departamento de Estado dos EUA, como também prestou serviços ao Pentágono, petrolíferas russas e, basicamente, todo mundo com muito grana na conta.

Deixe a coisa ferver
Resumindo: o Facebook foi hackeado sem que uma linha de código fosse comprometida. Como o próprio chefe de segurança da rede social comentou e apagou (mas a internet não só se lembra, como dá print): o lance é que uma empresa reutilizou a plataforma a seu bel-prazer, transformando-a num canhão de marketing e dando 0 fucks para sua política de dados (ou ética). Algo capaz de atacar todo o processo democrático norte-americano. E é por isso que a rede social vem recebendo pedrada de todos os lados desde que a notícia foi publicada. A Cambridge Analytica chama as notícias de falsas e coloca a culpa no professor Kogan.

Tá pronta uma bomba (e não é o doce)
Duas horas antes de a notícia estourar, o Facebook divulgou uma nota dizendo que havia suspendido a CA da rede social. Mas há rumores de que Zuckerberg tenha atuado nos bastidores para que as matérias do Guardian não fossem publicadas. Durante a segunda, as ações da empresa chegaram a cair 8% — uma desvalorização de módicos USD 43 bilhões — e fecharam em baixa de 5%. Aí, não tem como não tomar uma atitude, né? A rede social contratou um time forense para auditar a atuação da CA dentro da rede social.

As ultimas atualizações:
• O Chief Security Officer, Alex Stamos, deve deixar a companhia. O rolo da rede social com a CA teria sido a gota d’água para o sujeito, que já tinha entrado em algumas brigas ao defender que o FB adotasse uma postura mais transparente a respeito das fake news espalhadas na plataforma. Stamos se torna, assim, o primeiro alto executivo a deixar a rede social por conta do escândalo. Não Stamos brincando.

• O parlamento britânico convocou o próprio Mark Zuckerberg para explicarcomo a rede social adquire, armazena e protege as infos dos usuários.

• A Federal Trade Commission, agência americana que protege os interesses do consumidor, abriu uma investigação. O órgão quer descobrir se a rede social violou um trato que fez em 2011, quando se comprometeu a não entregar dados de internautas sem o consentimento deles.

• A Cambridge Analytica afastou o CEO, Alexander Nix.

• O cofundador do WhatsApp, Brian Acton, mandou um tuíte tarde da noite ontem, dizendo “It’s time#deletefacebook“. Lembrando que o WA foi comprado por Zuck em 2014, por USD 16 bilhões. Fale mais sobre shade.
• De lá para cá, Mark Zuckerberg viu USD 5 bilhões desaparecerem de sua fortuna. E outros CEOs de gigantes de tech também, como Jeff Bezos, Jack Ma, Larry Page e Sergey Brin. Em outras palavras, o escândalo foi tão cascudo que conseguiu balançar a imagem de todo um setor que até outro dia parecia imbatível. O Market Cap do próprio Facebook caiu USD 40 bi. No meio desse furacão, o silêncio de Mark Zuckerberg é quase ensurdecedor. Até agora, nem ele, nem a COO, Sheryl Sandberg – os rostos do FB -, disseram uma palavra. Nem mesmo aos funcionários. Ontem, a rede social organizou uma reunião com toda a equipe para solucionar dúvidas a respeito da participação da empresa na polêmica. Quem comandou foi um consultor jurídico. Sandberg e Zuck não deram o ar da graça.
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Até onde vai a BRonca
Para coroar, o canal britânico Channel 4 divulgou gravações de reuniões feitas com executivos da Cambridge Analytica. Nelas, os caras diziam que já haviam feito campanhas secretas durante eleições em todo o mundo. “Não vale a pena brigar numa eleição com fatos, porque tudo é sobre emoções”, era o argumento. Falavam ainda que estavam prestes a entrar no Brasil.(alguns dizem que já entraram).

E você achando que os joguinhos eram apenas joguinhos.kkk
Se você fosse o Mark como resolveria isso?
Qual seria sua estratégia?

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